Escrever é a minha heroína, a minha morfina e os meus
psicotrópicos.
Já há alguns anos que me mudei para o subsolo, conheci os meus vizinhos novos e emocionei-me quando ouvi as suas histórias.
Acho que quando todos os rios, lagos e oceanos secarem, eu tenho
como sobreviver, (é por isso que tenho poupado as lágrimas)
e aí, ai aí, aí eu serei egoísta, todos irão mendigar por um copo
que seja, e eu irei negar, e se for preciso até desperdiçar montes deles nas
suas caras.
Pois, fizeram com que dentro de mim se desenvolvesse uma besta insaciável...
já me comeu o coração, o cérebro e todos os amores que eu tive ao longo da
vida...
E agora? Agora está faminta... Por isso, o melhor é permanecer num
vazio para que ela não tenha nada do que se alimentar,
a não ser de esperança, esperança de que algum dia volte a ter
algo para saborear.
Resumindo, estou morto.
Já não preciso de um psicólogo, ou psiquiatra, as próprias pessoas tentam fazer-me um diagnóstico, e, até acho, que inconscientemente estes textos são um pedido de ajuda.
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