quinta-feira, 16 de julho de 2015

Corredor

A minha vida é como o corredor de um hospício.
Um corredor com uns largos kilómetros e milhares de portas ao longo dele.
Cada uma que abro, lá dentro, o ambiente é diferente, as pessoas são diferentes,
os problemas são outros, mas a insanidade está sempre presente, e de momento estou no corredor.
...
sem rumo, à procura de um destino, 
abro uma porta,
entro,
permaneço, 
mas nunca por muito tempo...
saio,
fecho-a,
prossigo,
mas nunca por muito tempo, (...)
Navego num mar de instabilidade, pior quando choro, mas não me lembro da última vez que chorei.
(As ondas acalmaram.)
Sou uma alma triste que nada contra a corrente.
Sou um réptil que sonha acima das nuvens.
Aqui qualquer sacrifício que eu faça, é convertido em prazer.
Não me engano com o ódio repleto de sorrisos,
e também não julgo um sorriso com menos dentes.
E, na minha opinião, as piores pessoas vêm-se nas qualidades: aquelas que se aproveitam das que têm para julgar quem não as tem.
Nem toda a escuridão é maligna, e, escuridão, pode ser sinónimo de conforto.
Por vezes ela só quer partilhar o nada que tem com alguém que nada tenha.
Penso que já encontrei o meu lugar, aqui, neste corredor, isolado, com escolhas por fazer, com portas por abrir,
encontrar o destino no desencontro do mesmo.

Sem comentários:

Enviar um comentário