quinta-feira, 16 de julho de 2015

13

Isto é só mais um dos meus dias de morte.
Sinto-me a morrer aos poucos e já não suporto ser o suporte
de todos os erros que ficaram no passado.
(Eu sou um erro, fiquei no passado.)

Aqui estou, suspenso, nesta estação a que chamamos 'Passado', a depender de um transporte,
que, ao me levar, me traga de volta a mim.
Não quero este tédio preenchido pelo vazio...
Dinheiro é tudo o que me resta.
Só quero ir sem voltar e se voltar, sem ficar.
Mas,
Esperar não é comigo, prefiro caminhar sem destino.
(Enquanto o auto-carro não chega.)
Já sinto as pernas cansadas,
este peso que tenho aos ombros só me enfraquece
e essa vossa felicidade só me entristece.
(Pois eu sei que é a minha tristeza que vos felicita.)
Por mais que caminhe, não há caminhos.
Estou fechado num Mundo só meu, sobre o qual não tenho controlo.
Estou sempre sozinho, menos quando me isolo,
aí sou acompanhado por algo que me encoraja... a ter medo.
Mas,
Entretanto,
Sento-me, senti-me...
... cansado, como sempre.
13 horas!
Chegou o auto-carro!
(Finalmente!)
Só quero um espaço onde possa guardar esta bagagem.
(E esquecê-la durante a viagem.)
Finalmente posso descansar, pensar em tudo o que não fiz.
(E isso é tudo o que eu faço.)
Desligar-me ao ligar o mp3
e ouvir uma música que me faça deprimir, 
isso faz-me feliz.

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