terça-feira, 21 de julho de 2015

Insoluvél

Desajustado e desactualizado, não sei o que se passa lá fora.
Oiço gritos e sirenes que me dão notícias agora,
oiço os carros, e cada um que passa, é uma vida que passa por mim,
meros pilotos sonâmbulos que se encaminham para o destino.
E eu sou só mais um, que, parado, avança...
excluído à partida por não ter entrado na dança.
E lá vai ele de mão dada com a solidão, 
Insolúvel... não me misturo com a multidão.

Pele clara, cabelo escuro, olhos verdes

Por mais que não me queira deformar, a vida assim me guia,
mas tenho uma cara-metade, ainda há simetria.
É por eu ter luz própria
que o Mundo gira à minha volta.

Sonhar acordado

A vida nunca foi bela, não, que horrorosa silhueta!
Disse à mãe que tinha um sonho e ela disse: "Filho, pensa
que caçadores de sonhos por vezes são caçados
pelos próprios pesadelos que ainda têm acordados."

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Ás vezes as pessoas perguntam-me o porquê do que escrevo...
- Não sei, pergunta a ele.

Morto, vivo

Escrever é a minha heroína, a minha morfina e os meus psicotrópicos.

Já há alguns anos que me mudei para o subsolo, conheci os meus vizinhos novos e emocionei-me quando ouvi as suas histórias.
Acho que quando todos os rios, lagos e oceanos secarem, eu tenho como sobreviver, (é por isso que tenho poupado as lágrimas)
e aí, ai aí, aí eu serei egoísta, todos irão mendigar por um copo que seja, e eu irei negar, e se for preciso até desperdiçar montes deles nas suas caras.
Pois, fizeram com que dentro de mim se desenvolvesse uma besta insaciável... já me comeu o coração, o cérebro e todos os amores que eu tive ao longo da vida...
E agora? Agora está faminta... Por isso, o melhor é permanecer num vazio para que ela não tenha nada do que se alimentar,
a não ser de esperança, esperança de que algum dia volte a ter algo para saborear.


Resumindo, estou morto.

Já não preciso de um psicólogo, ou psiquiatra, as próprias pessoas tentam fazer-me um diagnóstico, e, até acho, que inconscientemente estes textos são um pedido de ajuda.

sábado, 18 de julho de 2015

Cada palavra, um passo

Aprendi a voar sem asas...
Estou suspenso neste Mundo, como se não houvesse gravidade, 
o tempo empurra-me para a frente mas sem me movimentar.
Estou catatónico, apesar de ser um deserto com recursos,
sei que só serei útil quando for carne para os abutres.
Imagino o meu corpo a decompor-se nesta cadeira,
onde só irá sobrar o meu esqueleto agarrado a uma caneta.